domingo, 22 de fevereiro de 2009

0065 O claustro de Cronos (concluindo)

Em jeito de conclusão não posso deixar de dizer que aqui estava um óptimo ponto de partida para um bom trabalho e que fomos todos uns murcõezolas! Relactivamente ao timing que tínhamos até à apresentação o resultado final foi bom, no entanto, considero haver aspectos da peça que deviam ter sido mais trabalhados. A ser, claro que teria que ser a partir desta apresentação no Centro multimeios e estou a pensar por exemplo no personagem ser humano II que considero ter sido pouco desenvolvido e mal enquadrado nos espaços onde se move, na cenografia que era inexistente e alguns aspectos do vídeo. Estávamos na altura em que deveríamos tirar conclusões sobre o que devia ser corrigido, melhorado e até apagado. E devo dizer que fomos uns murcõezolas, uns porque não quiseram ou não acreditaram na continuidade deste projecto em termos talvez mais profissionais ou com outra seriedade. (Claro que esta questão da seriedade é bastante escorregadia mas quero dizer com isto que era importante que o grupo não ficasse satisfeito com a primeira apresentação e procurasse fazer outras por uma questão de sustentação financeira, para que fosse possivel o desenvolvimento da própria peça). Outros porque deixaram que os seus egos se elevassem muito, outros porque se deixaram também envolver nestas questões da caca e ainda outros porque não foram capazes de mandar 3 cachaços bem dados aos outros murcões para se porem finos! Ficou portanto, para mim, a sensação de que o claustro de Cronos podia não ter ficado por aqui, tinha pernas para ir muito mais além...Mas isso também já não interessa nada porque isto já foi há muito tempo e agora vai ficar como está, que se fonix, um abraço a todos, nem sei porquê que estou aqui com este paleio!

sábado, 21 de fevereiro de 2009

0064 O claustro de Cronos (parte04)

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0063 O claustro de Cronos (parte03)

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0062 O claustro de Cronos (parte02)

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0061 O claustro de Cronos (parte01)

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Este filme, que está dividido em quatro partes é uma montagem feita pelo Belmiro Marques a partir da filmagem da apresentação da peça no Centro Multimeios em Espinho, em novembro de 2005 com o vídeo projectado na peça.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

060 O Claustro de Cronos (storyboard)

De que maneira é possivel vencer a nossa inevitável finitude? Não é possivel, pelo menos por enquanto! No entanto podemos desafiar os tentáculos do tempo através da nossa memória prolongando assim a existência da individualidade. O amor tem um papel decisivo neste desafio.... Esta é a questão que o Claustro de Cronos tenta colocar. apontando para a importãncia de cada momento, cada sabor, cada pequeno instante.


-imagem projectada na tela de fecundação e gestação de um feto
-luz inexistente


-ser humano I dança num pendulo suspenso sugerindo a infância; ausência da consciência do conceito tempo -Não há projecção de vídeo
-Foco de luz picado dirigido ao personagem, o resto do palco sem luz
(música: cantus in memory of Benjamin Britten de Arvo Part)

-Cronos à esquerda do palco começa a escrever à máquina e atira papeis escritos para o chão
-projecção inicia uma numeração crescente
-ser humano I desce do pêndulo e continua a por baixo deste
-luz apontada a cada um dos personagens
(música: anterior faz passagem para som de bater à máquina)
-o dimiurgo surge vindo do escuro do fundo do palco e apanha os papeis do chão
-cronos continua a escrever à máquina e lança papeis para o chão
-ser humano I continua a dançar por baixo do pêndulo
-luz permanece
-ser humano I vai dançando dirigindo-se para o centro do palco acompanhado ( foco de luz acompanha-o)
-dimiurgo entrega um dos papeis ao ser humano I (deixa-o no chão)
-cronos continua a escrever com luz de frente-picada
-na prejecção, a numeração avança
-numeração projectada na tela forma um rosto na sua totalidade
-demiurgo volta para junto de cronos, acocorado aos seus pés
-ser humano I lê o papel deixado pelo demiurgo
-luz difusa sobre cronos e demiurgo e de frente para humano I
-ser humano I compreende que o rosto desenhado com a numeração do papel (projecção) representa a sua mortalidade e petrifica estática no mesmo sítio olhando para o papel
-projecção revela o horror sentido pelo ser humano I através de uma metamorfosede expressões faciais
-cronos observa no seu trono
-demiurgo mantem-se na mesma posição
-luz mantem-se

-ser humano I urina-se pernas abaixo, larga papel e cai de joelhos no chão
-cronos mantém-se a observar. Ri-se.
-projecção mostra o olhar de cronos, alternando com planos das pernas do ser humano I
-demiurgo mantém-se no mesmo sítio
-luz mantém-se
(música: requiem de Ligety)

-enquanto o ser humano I está de broco no chão surge na tela ser humano II mostrando algumas tarefas diárias em repetição, alternadas com o olhar de Cronos
-ser humano I na mesma posição põe venda nos olhos
-Cronos e luz mantêm-se como anterior
-demiurgo dirige-se para o pêndulo e pendura-se nele
(música: Requiem de Ligety)

-na tela surgem imagens de objectos como roldanas e relógios que caem alternadas com ser humano II e o olhar de Cronos
-ser humano I com venda nos olhos levanta-se, deambula e dança acompanhado com luz lateral
-demiurgo tenta proteger ser humano I
-luz fecha-se sobre Cronos
(música: Requiem for a dream de Kronos Quartet)

-Cronos com manípulos (andas) controla ser humano II que está na tela
-luz incide verticalmente e de baixo sobre Cronos
-ser humano I e demiurgo estão imoveis
(música:……..de Félix Cubin)

-demiurgo e ser humano I seduzem-se, apaixonam-se e envolvem-se numa coreografia conjunta
-Cronos indigna-se
-surgem na projecção imagens não figurativas em tons de vermelho
-luz fechou-se sobre Cronos e surge lateral vermelha acompanhando a dança alternadamente da direita e da esquerda

-por momentos as figuras fugazes na tela de projecção coincidem com a coreografia descrita pelo lacaio e o ser humano I, funcionando como as suas sombras
-luz, projecção e música mantêm-se

-no final da coreografia o demiurgo e ser humano I separam-se e este último cai no chão á esquerda de Cronos. O primeiro afasta-se para a direita e situa-se de joelhos no centro do palco em à tela de projecção
-luz abre-se na vertical sobre Cronos e sobre o pêndulo enquanto palco escurece
(música: anterior)

-ser humano I levanta-se, dirige-se e entra em Cronos (morre)
-lacaio permanece no mesmo sítio
-projecção em zoom-in do templo de Cronos acompanha os passos do ser humano I
-luz fecha-se sobre o trono de Cronos
(música: final da anterior)

-Cronos levanta-se, passeia e contorna o demiurgo em círculos zombetando do seu fracasso
-demiurgo mantém-se de joelhos no chão derrotado
-projecção mostra figuras humanas emparedadas do templo de Cronos, mostrando assim o seu poder
-ser humano I desapareceu no trono de Cronos
(música: Yensei punk de Yat-Kha


-demiurgo reage e tenta impedir que a contagem e os relógios da projecção avancem
-sombra projectada na tela de demiurgo esbracejando contrariam os movimentos que ele próprio faz no palco, de braços caídos.
-Cronos continua a passear-se no palco, triunfante
-luz mantém-se
-música passa a ser acompanhada por batuques, percussionados por músicos em palco (ocultos)

-demiurgo dirige-se para o trono de Cronos e rouba-lhe a capa que reveste o trono
-Cronos sozinho no palco deambula e observa confiante
-luz incide sobre cronos
-música: permanecem os batuques

-demiurgo tem convulsões e de dentro dele renasce o ser humano I com luz incidente de frente e cima
-Cronos no centro do palco é derrotado e cai (morre)
-luz fecha-se completamente
-batuques calam-se


-sem luz
-texto na projecção propõe que o público ponha vendas nos olhos que foram previamente colocadas por baixo de cada cadeira
-declamação gravada de um texto ( adaptação de Humus de Raul Brandão e de Sonhos de Einstein de Alan Lightman