quinta-feira, 21 de abril de 2016

0186 Narragonia

(Proposta para desenvolvimento de projecto ao concurso do Instituto do Cinema em Abril de 2016)



Sinopse

Na ilha dos loucos há dois tipos de loucura. Uma que se vê e que se aproxima da verdade e outra que não. Num ritmo crescente ambos delírios  parecem ganhar mais e mais terreno e através de momentos das suas crescentes aparições poderemos pôr questões simples mas essenciais como Qual é o significado da vida? Quem eu quero ser ou o quê que realmente me interessa.


Nota de Intenções

Narragonia é a ilha para onde se dirige a barca dos idiotas, num poema originalmente escrito por Sebastian Brant em 1494 - Das Narrenschiff. Neste poema, pouco depois entre 1503-1504 interpretado por Hieronymus Bosh na Nau dos Insensatos, um óleo sobre madeira; o mundo é narrado como uma barca onde os seus passageiros eram o retrato da humanidade da época. Brant expõe as fraquezas e vícios do seu tempo. Ele concebe Saint Grobian, retratando-o, o santo da vulgaridade e das pessoas grosseiras.

Nas Narragonias dos dias de hoje a barca trouxe duas loucuras. Uma é aquela que nos aproxima da nossa verdade individual, daquilo que somos, não deixa q o exterior penetre na tentativa de preservação desse universo. A segunda abdica dos valores pessoais e é totalmente condicionada por valores externos, os valores vigentes. Caracteriza-se pela obediência e conformismo. Enquanto que a primeira, a esquizofrenia, a loucura visível, apresentada pela psicologia e psiquiatria como doença mental, está conotada com a ideia de que se trata de uma perda gradual da noção da realidade, a segunda, designada por Arno Gruen como a loucura da normalidade encobre outro género de doença muito mais perigosa que é aquela caracterizada pelo comportamento normal, uma patologia da adaptação em consequência da renúncia do Eu. Dá-se a substituição de sentimentos por conceitos de sentimentos sem que se trate neles de verdadeira experiência. “ Quanto mais saudável a imagem da identidade que assumiram tanto maior será o sucesso dessa manipulação, ja que a intenção não é exprimirem-se mas de convencer o parceiro de que agem ,pensam e sentem de uma forma adequada.”

Para Mário de Sá Carneiro a loucura era uma questão de maiorias. Só o são loucos porque ainda estão em minoria. Mas sociedades actuais parecem caminhar a passos largos para ambas as manifestações de loucura e parecem não saber lidar muito bem com a diferença. Sobretudo a da normalidade onde sentimentos primários como a dor, a preocupação e a impotência não têm lugar e são encarados como fraqueza mesmo sendo eles em estâncias posteriores da vida gatilhos para o desenvolvimento da consciência, do altruísmo e da criatividade,. Em vez disso são incutidos valores ligados ao consumo, ao empreendedorismo e competição omnipresente. O cumprimento de deveres substitui a responsabilidade pessoal, a perda de autenticidade para se participar no poder, a massificação dos gostos e ideias parecem ganhar terreno e alienação crescente individual e colectiva. Obedecer, produzir e consumir, eis o tríptico que domina a vida ocidental. Obedece-se aos pais, aos professores, aos patrões, aos proprietários, aos comerciantes. Obedece-se também às leis, às forças da ordem e a todos os tipos de poderes.

Este é o território que tenciono abordar neste projecto. No sentido de lembrar que a contagem do tempo não pára e questionar sobre a maneira como ja estaremos com os pés em Narragonia pretendo a partir de uma colagem de sons de momentos do quotidiano urbano fazer um retrato dos dias e da evolução dos dois estados mentais.
Será através de um processo próximo do de Arthur Lipsett em filmes como 21-87 ou Very Nice Very Nice e Six Weeks in June de Stuart Hilton. Inicia-se com a construção de uma trilha sonora e posteriormente seguir-se-á a construção da narrativa da imagem partindo obviamente da do som. Elas terão uma ligação bastante íntima mas sem se tratar necessariamente de sincronia. 
Pretendo fazer entrevistas e gravações no exterior, de sons da vida urbana, conversas na rua ou monólogos de personagens ora vinculados à incapacidade de lidar com o mundo exterior, ora vinculados com o absurdo da normalidade ou até a outros que não estejam em nenhuma dessas circunstâncias e tenha também relevância para o tema. De maneira que apareçam na narrativa articuladas como se fosse um só discurso e com uma ordem de loucura crescente.

Esteticamente pretendo que a expressão individual esteja bastante presente. Desse modo o desenho, meio de comunicação primitivo e pessoal por excelência terá uma grande importância. Pretendo que esse desenho conviva com elementos vindos, assim como o som, da vida real, representativos da publicidade, do consumo e da economia como cartões pessoais, etiquetas ou embalagens. Quero que estejam presentes no papel e cartão que servirá de suporte do desenho que será em tinta da china. Pretendo também que esteja presente no desenho texto escrito à mão e números. Este texto represente o universo de alguns personagens e os números referem-se à contagem do tempo assim como abordou o Roman Opalka em várias pinturas. Algum lirismo do desenho a aparo ou outros meios de registo da tinta da china poderá estar próximo de autores como o Dave McKean



quarta-feira, 20 de abril de 2016

0185 Modelos de pintura para Das Gavetas Nascem Sons

A pintura é do Ícaro em acrílico sobre papel. São modelos para pintura digital 

0184 Das gavetas Nascem Sons

video
Line test do filme em produção